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por Suelen Castilho. Tecnologia do Blogger.

O inesperado



Gosto do inesperado
As reações singulares
A aflição de não saber
Gosto de não ter regras
De não ser guiada
E não acredito que deveria
Gosto do sujo, da distorção
Da beleza que vejo nisso
Mesmo que nem sempre a tenha
Gosto de poucos
Não sou de muitos
E pode acreditar
Sou feliz assim.




Palavras, palavras, palavras

Foi num tedioso dia que descobri que as palavras fluíam com a mesma facilidade de meus pensamentos.
Um prazer incontrolável. Se acoplam num turbilhão, e obrigatoriamente precisam ser escritas. 
Esse é o meu funcionar. 
Pra mim, escrever é o verdadeiro prazer, ser lido é um prazer superficial.




Resto do Post

Cena de cinema



Sentei ao ermo, e fixei meu olhar num ponto imaginário, nada se encontrava à minha frente, mas muitas coisas se encontravam em minha mente.
Parecia rodar um filme, daqueles em preto e branco, antigos, com um ar nostálgico.
Não precisava de mais nada, estava tudo conforme meu gosto.
Rodava lentamente com cenas mescladas de sentimentos variados, e eu, claro, tinha uma preferida.
A única coisa que me afligia, era saber que em longos anos, as imagens começariam a pular...




Resto do Post


Saudades


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
(Clarice Lispector)
Resto do Post

Interrogação

Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir. 

Não escondo meus defeitos, eles transbordam efusivamente. 
Às vezes, dão as caras só quando eu quero, outras vezes não. 
Eles variam do nível simples ao mais complexo. 
Sempre tive os delírios mais loucos. 
Ainda acredito que sou uma desconhecida, não para outrem, mas para mim. 



Estou atrás do que fica atrás do pensamento.

____




Toda noite ela me visitava, entrava sem bater à porta, agia como se fizesse parte de mim.
Sentava na minha poltrona favorita, e tinha domínio de tudo que era meu.
Não era questão de gostar, já tinha se tornado um costume tê-la por perto.
Era minha única companhia à meses...

O nome dela?
Solidão.
Resto do Post


Vitalidade


Estava de pé, sozinho no meio dos outros, apenas observando como o mundo se transformava, sem se pronunciar.
Num complexo de fragilidade e rapidez, seu corpo despencava sob o asfalto, sem delicadeza alguma.
Segundos depois voltou a si, e percebeu o que ocorrera...
Era a falta das palavras.


As estações

Era primavera, sentia o ar puro de um belo dia. Sorri ao te ver se aproximando, meu coração não sabia reagir, talvez
não estivesse tão preparado, era notável o transtorno que você me causava, era um misto de felicidade e apreensão.
E você sabia bem disso. Parecia brincar, parecia se divertir.
Num dia qualquer, você havia habitado meus sonhos e implorava pra não sair dele e hoje
habitando minha realidade, era eu que me via fazendo esse pedido, mesmo que inconscientemente, mesmo sem dizer uma palavra, mesmo
sem você sequer ter me ouvido!
Me perguntava quando diria tudo isto pra ti, me repreendia por ainda não ter feito, talvez
faltasse a hora, os minutos, os segundos e até os milésimos, talvez o que faltasse mesmo era apenas a coragem.

Era verão, os dias pareciam mais longos, e pensar em você, era a única fonte de frescor que eu tinha.
Com o passar do tempo se tornava mais intenso. Eu sabia disso.
Embora a sensação fosse enlouquecedora eu até gostava, e assim perdurou a estação inteira.

Era outono, a cidade se tornou inconstante, e meu humor também.
Num final de tarde, me veio a notícia de que você estava de partida para Londres.
Eu só tinha uma chance e ela certamente não mudaria nada.
Foi quando depois de meses, eu consegui dizer que te amava, num súbito de desespero.
E esperando uma reação de desprezo, me veio a seguinte resposta: Eu também te amo!
Você foi pra sua viagem e eu fiquei com a certeza de que era correspondida.

Era inverno, o céu enegreceu, e com ele o frio constante, as chuvas, e uma sensação estranha me tomou, não sabia o que era.
Tudo se tornava pequeno em comparação a minha felicidade. Era o dia de sua volta.
A euforia imperava e ao anoitecer, a tristeza me invadiu.
Recebi a terrível notícia de que meu coração parou, juntamente com o seu.


Se fui, não sei...

Nunca fui assim
E também não sei se percebi
Continuo sem saber...
Me deparo com uma instigante procura
E como sempre, estou no caminho errado
Será que alguém sabe como voltar?

Nunca aceitei ajuda, mas também nunca pedi
Sempre me escondi
Pra não dizer que fugir era a palavra que eu queria
Brincava de não acreditar...
Brincava de não vivenciar...
Será que alguém sabe como voltar?

Na verdade, era eu quem não sentia
Lembrava com um forte gosto de não lembrar
Será que alguém sabe como voltar?


Devaneios

Vivenciar o mais puro dos sentimentos
Esse que faz acelerar os batimentos,
Que seduz, e te leva como o balançar do vento
É transformar em cores, a vasta imensidão do preto e branco
Quero eu viver só dele!
Oras indefinido, oras inovador
Minha vida caminha no vai e vem de pronomes
No transparecer de palavras
Na conduzente verdade
Na infinita busca da felicidade!


Indo além

Ah! Um sorriso
Traz a luz de seu rosto
Para dentro de mim
Me invade e consome
E me faz descobrir
O quão valioso és
Somente desta forma
Me sinto unida a ti
E mesmo que você se vá
Basta seu sorriso
Para eu te encontrar!