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por Suelen Castilho. Tecnologia do Blogger.

Desatino

Essa era uma tarefa abominável para ela. Cheia de princípios, de pudores.
Pisar fora do círculo era catastroficamente impossível.
Usava sempre sua palavra chave: Ordem!
Destemido seria quem ousasse não sucumbir aos seus mandamentos.
Colecionava desafetos e pouco importava para isso. Sua arrogância impedia.
Tinha poucos amigos, contava em apenas uma mão.
Sorrisos era algo que ela realmente desconhecia.
Era artigo de luxo. Daqueles bem valiosos.
Parecia ter uma espécie de cofre no lugar do coração.
Suspeito até que devia ser de outro mundo, porque era humanamente impossível agir de tal forma.
Rondava em torno de tudo que era seu de propriedade, avistando erros e defeitos dos mais pequeninos, invisíveis a olho nu.
Era facilmente compreensível se alguém um dia escutasse algum rosnado, parecia uma loba.
Amendrontava com os olhos.
Não tinha filhos, era de se entender.
Toda noite, no mesmo horário, sentava na varanda como quem esperasse por alguém.
Mas quem? Existiria alguém com tamanha coragem de cogitar uma proximidade?
Só podia ser um louco pra tentar uma convivência.
Agia repetidamente.
Mal sabera que na verdade, ela não era incapacitada de amar, é que seu coração fora roubado, o ladrão se encontra foragido e nunca houve notícias sobre.


Sem rumo, sem rota, sem motivo
Vou andando desnorteada, perdida entre tantos outros
Reconheço rostos estranhos
Deixo-me levar por esses, mas em seguida me arrependo.


Do não saber

Ele já não era o mesmo.
Todas as palavras faladas pareciam a cada segundo jogadas fora.
Cada vez mais distante, seu sorriso já não era meu.
Seu olhar parecia vago e o tempo, este passava rapidamente.
Como quem não quisesse suportar.
Não era culpa minha, muito menos dele.
Quis o acaso que fosse assim.
Que ficasse apenas guardado.
Na esperança que um dia alguém lembre.