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por Suelen Castilho. Tecnologia do Blogger.

Abre alas

Sinto falta de nós dois. 
Das risadas por nada, dos entreolhares, da compreensão, das broncas, do sorriso de canto evidenciando uma personalidade que nem todos conheciam. 
Dos abraços sufocantes que me faziam entender o porque te queria sempre ao meu lado. 
Agora fica aquela sensação estranha, a distância, o vazio, eu aqui e você aí.
Sem palavras.



Um dia comum

Despretensiosamente eu conheci você.
Não esperava por nenhum retorno. Nem ao menos que algo acontecesse. Mas aconteceu.
Tudo parecia destino e não duvido que fosse. Acredito nestas coisas, mais até do que deveria.
De imediato, jurei pés no chão. E é exatamente isso que eu não tenho agora.
Meu mundo está de cabeça pra baixo, torto, indecifrável. Estou confusa.
Inconstante... à propósito, é assim que denomino eu e você.
Um dia, todos os sorrisos e no outro, nenhuma resposta.
Faço tantas perguntas...
Parece que você tem o manual de como brincar com meu coração. Talvez não perceba ou talvez faça com todas as intenções.
Quando eu acreditei, um dia, que não faria isto, estava completamente enganada.
E sabe o que é pior nisso tudo? É que eu gosto.
Não me entendam mal. Não estou dizendo que gosto de joguinhos... estou dizendo que gosto de você. Simples assim! Como os sentimentos deveriam ser.
Agora fico aqui, mergulhada neste mar de distorção sem saber se devo bater pernas para submergir ou se deixo afundar de vez.
Sou muito preto no branco, acontece ou deixa-se perder.
O que transita nesse caminho é que não faz bem.
Clareza não deveria ser tão difícil assim.


Razões

Eu não sei muito bem o que anda acontecendo comigo, nem quem é a pessoa que está aqui neste momento, a única certeza é que mudei.
Não quero definir melhor ou pior.
Aliás, definição é o que menos tem importado ultimamente.
Estou em construção.
Construção de palavras, sentimentos e ações, como eu nunca estive antes.
Não vou falar em liberdade, porque a desconheço, mas o novo tem me feito muito bem.
Tenho preferido o sol aos dias nublados e os sorrisos sem motivos tem sido cada vez mais constantes.
Selei um compromisso com a verdade e é o que tem me feito assim.
Decidi ser verdadeira comigo e depois com os outros.
Escolhi viver o agora e deixar os planos pra daqui a pouco.


Morre Lentamente

Quem morre?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

Contradição

Sempre gostei do contra-senso.
Mas jamais falei o que não fiz. Tão pouco fiz o que não falei.


Para todas as coisas

E era assim. Tinham pavor só de ouvir qualquer um que fosse.
Ela sucumbida aos desejos de outrem e ele sucumbido a desejar-te.
Enganados, prometiam amor eterno. Guardavam cartas escritas, confirmavam teses.
Acreditavam na perfeita simetria.
Não se importavam com o seu redor. Achavam que de amor viveriam.
Tolos!


Horizonte

Não há muito o que entender
A vida é exatamente assim
Sem respostas prontas, sem roteiros.
Infeliz daquele que espera algo cair dos céus.
Eu prefiro me arriscar, mergulhar de cabeça.
De corpo, alma...
Coração e sentidos
Por que não?
Prefiro andar em linhas flutuantes
Buscando o tal do equilíbrio
Não que eu o tenha encontrado
E foi por isso que caí tantas vezes
Me machuquei e tenho marcas até hoje.
E quando me perguntam se chorei
Eu abro um sorriso e digo: Coleciono espinhos!



O avesso

Todo dia numa espécie de ritual, ela despertava, aguardava exatos vinte minutos na cama acreditando que tudo seria diferente. 
Sem destino traçado implorava aos céus que algo mudasse sua vida.
Buscava motivos para justificar seus atos falhos, e aquilo se repetia por meses.
A costumeira lacuna que insistia em abrir à sua frente lhe empurrava sempre para o lado negro da força. Amor não lhe faltava…
Ela podia ser o que quisesse, mas era exatamente aquilo que não queria.